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Não digam que são irracionais

Não chamem de ratos
os políticos corrompidos
eles não roubam por maldade

Não chamem de cobras
os empresários sonegadores
eles não desviam por maldade

Não chamem de vermes
os especuladores financeiros
eles não investem por maldade

Não os chamem de animais irracionais
pois, ao contrário
roubam, desviam e investem
por absoluto exercício da razão

“Mutirão em Novo Sol” é publicada pela primeira vez

Peça histórica de Nelson Xavier sobre conflito no campo, escrita no Teatro de Arena, influenciou cinema novo e teatro político antes do golpe de 1964

Peça histórica de Nelson Xavier sobre conflito no campo, escrita no Teatro de Arena, influenciou cinema novo e teatro político antes do golpe de 1964

do Laboratório de Investigação em Teatro e Sociedade da USP

Mutirão em Novo Sol - Cartaz de divulgação (JPEG) FINALNo dia 1º de dezembro, terça-feira, às 19 horas, o Governo do Estado de São Paulo, a Secretaria de Cultura e o Laboratório de Investigação em Teatro e Sociedade (LITS) da USP lançam, no Estúdio da Companhia do Latão, o livro Mutirão em Novo Sol, de Nelson Xavier, com coautoria de Augusto Boal e colaboradores. A edição crítica, publicada pela editora Expressão Popular, é a primeira de uma série intitulada Cadernos de Teatro e Sociedade. O evento contará com a presença do autor e de outros integrantes da montagem original.

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“Não vai faltar água em São Paulo”

A lógica que existe por trás das tucanagens

Terça-feira (13) a Justiça determinou suspensão da “tarifa de contingência”, ou seja, multa sobre o consumo da água em São Paulo. A lei federal 11.445/207 diz que só pode haver esse tipo de multa após declaração oficial de racionamento. Uma pedra no caminho do governo de São Paulo, que já criou praticamente um dicionário completo de sinônimos para tucanar termos relacionados à seca.

Mais rápido que enchente em temporal de verão, o governador de São Paulo admitiu pela primeira vez em quase um ano que há “restrição hídrica”, ou seja, racionamento. Poucos instantes depois o recém-nomeado presidente da Sabesp estava na televisão concedendo entrevista sobre a crise.

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Stanislavski revivido

Lançamento do livro “Stanislavski revivido”, de Ney Piacentini e Paulo Fávari. Terça-feira (9/12), às 19 horas, na SP Escola de Teatro, que fica na Praça Roosevelt, 210, Centro – São Paulo.

Capa Stanislavski revivido

O ano chega ao fim com uma notícia muito boa: lanço meu primeiro livro, em co-organização com meu amigo Ney Piacentini!
O lançamento será na próxima terça-feira (9), às 19 horas, na SP Escola de Teatro, que fica na Praça Roosevelt, 210, Centro – São Paulo. Confirme a presença no evento no Facebook.

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Sobre porcos e água

Porco = água

Os porcos de um lugar consomem
a água extraída em outro. Em torno da fonte
as bicas secam e aos montes as pessoas
se estapeiam pelo gole
do reuso
do resto
do fundo morto do poço

Para a ração tipo exportação
a soja toma o lugar do camponês. Expulso
para a cidade, ele se soma aos de lá
que não sabem plantar e também
não vêm que água de regar soja transgênica é
potável
cristalina
direto da fonte

Assim, o porco do jantar de uma língua estranha
é água pura da seca muito bem conhecida e
o solo rachado onde muitos vivem não
questiona a terra fofa em que não nasce formiga

As crianças da mulher

Tinha uma mulher que trabalhava de empregada numa casa. Cuidava dum menino e duma menina desde os dois pequenos. De criança ela domava os dois com história, depois de crescidos já tavam amansados e não careciam mais de fábula, só o olho bastava.

Assim foi. Se o menino ficava muito na barra da saia de vontade de bolinho de chuva, a mulher dizia que nem dava porque não tinha chovido e o bolinho carecia daquela água acabada de cair. O menino até protestava mas era questão divina: se não caía água do céu ele tinha de ter com Deus, São Pedro, o santo que fosse menos com ela. Azar da mulher era quando todo aquele povo celeste tinha vontade de chover, aí mesmo o menino não estando em concordância de vontade de bolinho de chuva, dava a pedir pra mulher fazer o quitute. Ia saber quando é que ia chover de novo? Coisa que cai do céu não se desperdiça.

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