Xeque-mate


Tome este tapa no rosto
e se quede exposto, meu chapa
não achou que era o tal?
Pegou mal, não caiu bem
ficou sem qualquer esboço de reação

Caia deste cavalo bem caído
um tombo de ficar dolorido
seu lombo glutão

Quem acha que tem na barriga um rei
periga acabar frei… franciscano
(entregue ao vento minuano)

Achou que estava por cima, não?
Pensou que comandava, não?
Acreditou mesmo que era o cara, não?
Não!
Pois é, não…

Sinta o sabor destes humores felínicos
e ouça de seus dentes cínicos rangidos surdos
ainda assim estará mudo
de sua boca descarnada não sairá nada
nenhuma mísera palavra
tamanha surpresa descoberta

Aprenda com a queda
e nem pense em pagar na mesma moeda
o tesouro você já perdeu
foi ser o bom, foi ser Teseu
agora engula (o sapo)
agora segura (o rojão)

Autor: Paulo Fávari

Paulo Fávari é mestrando em Artes Cênicas pela Escola de Comunicações e Artes da USP com o tema O trabalho experimental de Chico de Assis nos anos 1960: direção, dramaturgia e pedagogia, sob orientação do professor Sérgio de Carvalho. É também pesquisador do Laboratório de Investigação em Teatro e Sociedade (LITS). Graduado em Jornalismo pela Escola de Comunicações e Artes da USP.

Uma consideração sobre “Xeque-mate”

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