Continua!

Um pequeno solavanco na rotina metroviária


Horário de pico na conexão entre as linhas verde e amarela do metrô. Algumas centenas de cabeças caminham de lá pra cá e de cá pra lá. Uns mais, outros menos atarefados ou atrasados, cortam os caminhos um do outro — não se esbarram por milagre. A vida segue, frenética.

E frenéticas também são as escadas rolantes, mais rápidas que de costume para darem conta do fluxo. Uma delas, a única funcionando no sentido linha amarela-linha verde, não aguenta o ritmo e para abruptamente. As pessoas se desequilibram e quase caem em efeito dominó. Mas alguém no fundo grita:

— CONTINUA!

E a fila de cabeças à sua frente, uns mais, outros menos atarefados ou atrasados, obedecem. Poderiam reclamar, mas assim como não se esbarram, milagrosamente também se calam… e continuam.

Autor: Paulo Fávari

Paulo Fávari é mestrando em Artes Cênicas pela Escola de Comunicações e Artes da USP com o tema O trabalho experimental de Chico de Assis nos anos 1960: direção, dramaturgia e pedagogia, sob orientação do professor Sérgio de Carvalho. É também pesquisador do Laboratório de Investigação em Teatro e Sociedade (LITS). Graduado em Jornalismo pela Escola de Comunicações e Artes da USP.

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