Quando tornam a agredida culpada

A história do imbecil de mente obtusa que se acha no direito de agredir porque tem um pinto.


Domingo cinzento em São Paulo, domingo de jogos universitários. Ao longo do dia, jovens se reúnem para praticar esportes, torcer, beber, conversar, enfim, reúnem-se para se divertirem. Há aqueles que levem mais a sério os jogos, mas estes são minoria; o objetivo primário é a reunião, é passar um domingo agradável com os amigos. Este é o InterECA.

Em campo um time qualquer joga futebol contra o Unidos do Marlboro, time criado por estudantes de jornalismo (fumantes) em que cada jogador recebe um nome de consequência provocada por cigarro: Gangrena, Câncer, Morte, Sofrimento, Infarto, Dependência e Enfisema Pulmonar. Como ninguém quis ser a Impotência, esta é acabou sendo a fã número 1 da trupe. Uma forma descontraída de debochar do vício que todos sabem ser prejudicial.

O time, tão bom de futebol quanto os nomes de seus jogadores, perde miseravelmente de seu adversário mas na arquibancada a torcida é animada. Estão lá para se divertirem, não para dar o sangue por um título e julgam ser este o espírito de todos. Marta é uma delas. Extrovertida e com voz de maritaca voltando para o ninho, a moça vibra com a derrota. Vai até Testa, torcedor do outro time, e grita:

— MARL-BO-RO! MARL-BO-RO! MARL-BO-RO!

Ele se irrita com a felicidade e a brincadeira, a segura pelos braços e dá-lhe uma rasteira segurando as mãos para que no tombo ela não possa amortecer a queda. Marta cai de rosto no chão e fica desnorteada por alguns segundos. Em pouco tempo toda a parte direita de sua face estará inchada.[1]

Os amigos de Testa tentam justificar sua ação taxando-o de imaturo, infantil, e dizem que ele sempre faz isso, que ele é assim mesmo. Testa, por sua vez, se recusa a pedir desculpas porque não será sincero e, além disso, ela estava bêbada (não estava).

Quando a Polícia chega, sua atitude muda. Vem “humildemente” pedir desculpas, dizer que ação foi insensata. A cena não era necessária, instantes antes os policiais já haviam assumido os papéis de juízes, dando ganho de causa ao agressor:

— Se você estivesse em um jogo Corinthians x Palmeiras e gritasse Palmeiras na torcida do Corinthians, teria morrido.

— Você quer ir mesmo para a DP? Olha lá, hein… Se não ficar provado nada você vai ser processada.

Uma moça que estava trabalhando no evento, mas que não representa necessariamente o pensamento da ECAtlética (organizadora do torneio) com um todo, justifica a atitude do agressor como que repetindo as palavras de seus amigos:

— Ele é sem noção, é criança, coitado.[2]

A turma do deixa disso entra em ação e por toda a pressão, Marta não vai à DP. Como a Delegacia da Mulher não abre aos domingos e os policiais lhes são hostis, resolve ir no dia seguinte lavrar o B.O.. Antes de irem embora, contudo, os policiais reforçam o “conselho”:

— Cuidado, hein, moça. Você poderia ser processada!

*****

A história acima, infelizmente, é real. Aconteceu ontem com uma das minhas amigas mais queridas, a Marta. Fiquei profundamente triste ao vê-la com a cara ainda inchada e sem poder tratar do ferimento para poder fazer exame de corpo de delito somente hoje. Tentei inutilmente confortá-la, fazê-la dar algum sorriso. Logo a Marta, que é só sorrisos, ontem estava murcha, vazia de qualquer sentimento bom. Assim também eu fiquei.

Me dá raiva este brutamontismo ignorante. Brutamontismo em diversos níveis, aliás. Em primeiro lugar o de Testa: é natural ao pensamento deste machista que ele, ao ficar irritado, tem o direito de sair por aí batendo, ou melhor, mostrando sua virilidade em qualquer um. O ato se agrava por ser a agredida uma mulher, mas independentemente de gênero, usar da força por motivo fútil é, em si, vergonhoso.

Mas o machismo de Testa é ainda maior. Ele justifica o injustificável alegando que Marta estava bêbada. Dissequemos, pois, o raciocínio torpe: “É mulher, está bêbada e ainda o ultraja gritando o nome do adversário (que perdeu o jogo)? Tem de tomar porrada!”. Marta não estava bêbada, mas ainda que estivesse, pelo raciocínio brilhante deste pequeno príncipe, como qualquer bêbado é digno de apanhar, com ela não seria diferente, ele apenas fez justiça (aos bêbados, ao seu time, a sua virilidade ferida).

Por outro lado, há brutamontismo também nos policiais. Antes mesmo de apurarem a história toda, assumem o papel de juizes. A eles pouco importa o que aconteceu, se a mulher apanhou é porque mereceu; só resta saber porquê ela mereceu. E eles se empenham em encontrar a justificativa: gritou na torcida adversária. Acontece que, em primeiro lugar, jogos universitários não se comparam, nem de longe, a clássicos do futebol. Espera-se que pelo grau de instrução, pelo contato com diferentes culturas (algo inerente a universidades públicas como a USP), entre outros, seu público saiba se comportar e deixar o evento no âmbito da diversão.

Aceitar a rivalidade (inexistente, no caso) como justificativa para uma agressão e utilizá-la como argumento para acusação é de uma ignorância sem tamanho. Aos olhos dos policiais, torcedores são imbecis dotados de uma sede irrefreável por sangue e, portanto, é natural que se proceda assim: quem torce tem o direito de ser agredido.

Misturado a isso tudo, há também a turma do deixa disso. Sua função é não trazer mais transtornos ao rebuliço, afinal, são “coisas que acontecem”. Mais uma vez, é natural ter confusão em eventos assim. Mesmo não querendo (e há aqueles que não querem), acabam assumindo o discurso heteronormativo do homem macho, defensor de sua virilidade, perante a mulher fêmea, submissa e indigna de se opor a ele. Por quê pôr panos quentes? Por quê manter as aparências? Por quê deixar como está?

Não tolero cenas como esta! É inadmissível que se recorra à força para resolver episódios assim, assim como é inadmissível aceitar que casos como este aconteçam e achá-los naturais, normais. Não é normal! É por mentalidades obtusas como esta que ainda impera este pensamento nojento de que o homem heterossexual viril pode tudo.

Por fim, minha admiração pela Marta só cresceu mais e mais. Mesmo se sentindo impotente, ela não aceitou as coisas como elas se deram; está fazendo valer seus direitos. Se já tinha um carinho e respeito imensos por esta caipira de riso fácil, agora eles se multiplicaram. Me parte o coração a ver como vi ontem, mas me enche de orgulho sua atitude.

*****

NOTA: Por pressão dos leitores do blog e em redes sociais, e após reler com mais calma, fiz as alterações no texto para, assim, não contribuir (ainda mais) para o desvirtuamento do tema, para que a discussão sobre o machismo não seja reduzida a interpretações textuais. Desta forma, o artigo fica com o novo texto e a seguir deixo os trechos originais:

[1]O time, tão bom de futebol quanto os nomes de seus jogadores, perde miseravelmente de seu adversário mas na arquibancada a torcida é animada. Estão lá para se divertirem, não para dar o sangue por um título e julgam ser este o espírito de todos. Marta é uma delas. Extrovertida e com voz de maritaca voltando para o ninho, a moça vibra com a derrota:
— MARL-BO-RO! MARL-BO-RO! MARL-BO-RO!
Testa, torcedor do outro time, se irrita com a felicidade. Ele vai até ela, a segura pelos braços e dá-lhe uma rasteira segurando as mãos para que no tombo ela não possa amortecer a queda. Marta cai de rosto no chão e fica desnorteada por alguns segundos. Em pouco tempo toda a parte direita de sua face estará inchada.Voltar à leitura

[2]Membros da ECAtlética, organizadora do torneio, justificam a atitude do agressor como que repetindo as palavras de seus amigos:
— Ele é sem noção, é criança, coitado.
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Autor: Paulo Fávari

Paulo Fávari é mestrando em Artes Cênicas pela Escola de Comunicações e Artes da USP com o tema O trabalho experimental de Chico de Assis nos anos 1960: direção, dramaturgia e pedagogia, sob orientação do professor Sérgio de Carvalho. É também pesquisador do Laboratório de Investigação em Teatro e Sociedade (LITS). Graduado em Jornalismo pela Escola de Comunicações e Artes da USP.

43 comentários em “Quando tornam a agredida culpada”

  1. É aquela velha lógica do esporte universitário em geral, do trote e da relação calouros/veteranos; sempre pautada pela força, física ou psicológica, em que um necessariamente tem que sair abaixo do outro. Sempre destrutiva e nada criativa, levando o pensamento crítico para baixo em vez de tentar-se apegar ao mínimo do conceito de Universidade que é um crescimento, em direção a alguma coisa. Me deixam um pouco desolado e sem esperanças esses acontecimentos, violências de várias maneiras, que acontecem e parecem acontecer sem fim desde minha entrada no ensino superior. É como se não houvesse escapatória à generalização e ao esterótipo e ficassemos sempre numa ignorância inócua e passiva. Muita força para a menina. Ao menos ela possa sair maior de tudo isso.

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  2. Eu ainda não encontrei problema algum no texto. Omitiu isso, omitiu aquilo. Ele disse que se tratava de uma amiga dele, disse que foi por causa de um gritos de zombaria com os torcedores adversários, disse que a polícia não ajudou. Postou na categoria Fora da Pauta. Onde está o erro mesmo? Ainda não consegui ver.

    No entanto temos aqui um monte de pessoas que se dizem preocupados com o texto, pois ele é tendencioso. Jornalista não são assim. Imagine! O texto não é jornalístico. Então qual o problema? Nenhum. Quero dizer que vejo não problema algum sobre o texto, mas o número de pessoas que utilizaram a desculpa do ‘texto’ para enfatizar que ele é duvidoso e por isso, quem sabe, talvez a moça merecesse uma bela bifa mostra que há um belo problema na universidade.

    1. Uma moça faz zomba do torcedor do outro time;
    2. o torcedor a segura de maneira que ela não possa se proteger ao cair ao dar-lhe uma rasteira; e
    3. polícias não a ajudam.

    4. alunos procuram de toda maneira mascarar o machismo e a estupidez da violência discutindo o texto ou copiando-colando o comentário do Facebook. Que determinação em maquiar a situação, hein?

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  3. Olha, os “””””””””””””machinhos”””””””””””””””” da ECA que me fizeram desistir de lá. Eu amava aquela Escola, hoje só vou para terminar os créditos e pegar meu diploma. É falta de educação com as meninas, com homossexuais (coisa que quase nem tem na ECA, né?), com professor, com funcionário… Acho que esse BO deve ser lavrado, pq teve testemunhas, e a ECAtlética (esse enorme pano quente) deveria criar vergonha na cara, ainda mais depois do “Ecana Vagabunda”. Enfim, acho que tem debate de gênero dia 05.10.12, não? Marta deveria comparecer.

    Forte abraço.

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  4. Em resposta ao Thiago.

    “Quando o time perdeu, ele fez a provocação “final” e ela, com a maturidade que a idade lhe permite, parou ao lado dele e, quando ele virou, deu um berro em sua orelha… Que bela forma de interação!”

    Seu amigo fez a provocação final e eu que sou a imatura? Aliás, eu estava quieta no meu canto, torcendo para os meus amigos. Quem começou a interagir foi ele. Quem deu a abertura para brincadeiras foi ele. E, por ventura, quem é chamado de criança, bobão e sem noção pelos amigos não sou eu e sim ele. Aliás, você nem me conhece e nem sabe quantos anos eu tenho para julgar minha “maturidade”. E eu não esperei ele virar para gritar coisa nenhuma. Cheguei perto dele com a minha amiga e gritei “Marlboro”. Sou mais baixa que ele e nem se eu eu quisesse teria conseguido gritar “DENTRO” da orelha dele.

    Como você pode julgar minha postura quando a PM chegou dizendo que eu não estava preocupada com a agressão em si? Quem estava com a cara doendo era eu, não ele e nem você. Mas é claro que eu só queria fazer uma pirracinha! Já tive muito tempo para fazer pirraça, tive a infância toda para isso – atitude a qual eu nunca fui de ter, nem quando bem pequena.

    O fato de eu ter perguntado a razão do seu estimado amigo vir me pedir desculpas naquela hora e não na hora que devia foi simplesmente pelo fato de que se ele disse que não seria sincero significa que ele não se arrependeu do que tinha feito. Ele joga uma mulher de cara no chão e não se arrepende do que fez. Aí a polícia chega e ele vem com o rabo entre as pernas pedindo as mais sinceras e delicadas desculpas.

    Se você enxerga uma reação a agressão como pirraça é porque quem está acostumado a conviver com pirraça é você. Há muito tempo que eu não sei o que é isso. Já passei dessa fase e meus amigos também.

    Se um dia sua irmã, mãe ou namorada for jogada de cara no chão, ficar com o rosto inchado, dolorido e MARCADO pelas mãos de um homem desconhecido e elas quiserem tomar alguma atitude contra o agressor, com certeza, será apenas pirraça. E aí com certeza você vai defender o cara, né? Elas devem ter provocado mesmo, são crianças pirracentas! Imaturidade total.

    Lamentável é sua postura diante disso, Thiago. Tudo combinando.

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  5. Excelente texto Paulo! Parabéns pela iniciativa e coragem! Esse é sóm o começo, não vai ficar assim. O caso da Marta não é um caso isolado e pessoal. Sabemos do que se trata, e não deixaremos passar!!!

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  6. Thiago, vc acha que chamar a PM por ser agredida e discutir (tb por ter acabado de ser agredida) é “pirraça”?
    Vc acharia mais maduro ela abaixar a cabeça e ficar calada?
    Só fazer uma atitude lamentável, segundo suas palavras, justifica não chamar a pm pra uma agressão? Se ele levasse na cara ficaria calado sem chamar a pm tb?
    Sério mesmo que vc acha derrubar segurando os braços é a mesma coisa que empurrar???
    Sério mesmo que vc acredita que rotular uma pessoa com atitudes machistas de machista é o mesmo que generalizar? Onde vc teve aulas de lógica, retórica…???
    Que tipo de contra-argumento jornalístico é esse para reprimir a expressão de alguém que se posiciona a favor da vítima e deixa isso claro no texto???

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  7. Como cientista social, é extremamente interessante ler a reação das pessoas ao texto. Um fato ocorrido com alguém próximo, mas que inserido num contexto real, claro e inegável: uma sociedade podremente patriarcal. A reação das pessoas me mostra o que venho desconfiando já a algum tempo: dedo na ferida dói!

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  8. Assim como os policiais você já fez seu pré-julgamento. Seu texto é muito mais emocional que racional (normal vindo do amigo da ‘agredida’).
    Não digo que um ou outro esteja certo/errado, mas no seu texto você faz o mesmo que condena. Bate o martelo e diz quem é o errado.

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    1. Que interpretação genial seria se não fosse lógica. Gato/Gata, a intenção é dar a posição dele sobre o ocorrido.
      Caso tenha interesse, há espaços por aí para você fazer o mesmo. Redes sociais, por exemplo.

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    2. Mas pera ai, o cara bateu em uma pessoa. Gritar o nome do time não é crime, agressão física é! E este texto não chegará a tribunal nenhum, grave foi a polícia, representante no poder no momento, atuar como mediador, como juiz. O que você faz aqui é o que vemos em qualquer lugar neste país machista, culpar a vítima pela agressão sofrida, faça-me o favor! E isso é um artigo opinativo, é claro que ele dará a posição dele. Não gostou? Escreva um defendendo o babaca que agrediu a moça. Aliás, sou a favor de um escracho no agressor, heim?

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    3. Está claro quem tá errado, seu néscio. A agredida. Agressão é por definição uma situação injusta sofrida por alguém que se coloca na condição de vítima. Você é um troglodita machista igual aos policiais que ainda tiveram coragem de insinuar que a culpa é dela. Vai defender estupro de mulher que usa saia também?

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  9. A minha pergunta é: se fosse um homem ele faria isso!? Belo texto, Paulo. Traz questões complexas infelizmente ofuscadas da discussão por algumas visões machistas. Parabéns Marta!

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  10. Quanta mobilização pra que se salve uma entidade. Pois, bem, que se salve. Que o moço vá lá e tire o nome da Atlética do texto.
    Ainda assim… quanta preocupação com a ordem cronológica do ocorrido “ela gritou primeiro”, “ela foi até ele” “você está distorcendo”, vocês dizem sem parar. Pois bem… que se mude isso também. Que ela tenha gritado, que ela tenha ido até ele.
    E daí?
    Temos um fato sui generis aqui: um homem bateu em uma mulher. Foi por que Marta gritou? Foi porque Marta foi até ele? Foi porque Paulo falou da Atlética? Foi porque são estudantes de jornalismo? Não. Foi porque Marta é mulher. E porque a sociedade ensinou pra esse celerado que quando uma mulher o incomoda, ele pode agredi-la verbal ou fisicamente. Ensinou que ele é um macho alfa, que se ele fica quieto, se ele reage como um ser humano e não como um bruta-montes, ele é “viadinho” ele é “feminino”. E sabe o que é se aproximar do feminino na nossa sociedade patriarcal? É ser um fraco, é ser um impotente, é ser um ser lamentável, digno de pena. É mulheres… essa é a imagem que esse cara absorveu de vocês. E é bonitos… vindo aqui se preocupar com uma entidade ou com a cronologia factual, é com esse tipo de pensamento que vocês estão sendo coniventes.
    Se façam cidadãos antes de se fazerem “atleticanos”, “jornalistas”. Isso é uma urgência, esse ocorrido é um grito da necessidade vigente da libertação da mulher, da recolocação dos papéis de gênero. Venham pra essa discussão. Depois todos podem se preocupar em dissecar as minúcias e os acontecidos.
    Parabéns pela coragem e comprometimento amigo do seu bonito texto, Paulo.
    Um abraço.

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    1. Eu acho extremamente perigoso como as pessoas são rápidas em fazer um julgamento – sobretudo um julgamento baseado em uma premissa totalmente inexistente: “Temos um fato: um homem bateu em uma mulher. Foi porque Marta é mulher.” De onde pode-se tirar tanta segurança em afirmar algo assim? É algo recorrente? Ele é um “macho-alfa” que agride mulheres?

      Vcs escrevem muito cheio de certezas, muito cheios de seguranças com suas palavras bonitas. Não se julga nada ou ninguém baseado em premissas e preconceitos (sim, presumir que um homem que agrediu uma mulher é um brutamontes violento e incontrolável é também um preconceito).

      Os comentários só refletem o maniqueismo e superficialidade do texto. O mais triste é ver que são jornalistas – gente que busca, ainda que sem sucesso – a objetividade, a ponderação. Julgamentos valem em si mesmos de grande responsabilidade e senso de consequencia; ambos em falta nos comentários que li… infelizmente.

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      1. “sim, presumir que um homem que agrediu uma mulher é um brutamontes violento e incontrolável é também um preconceito”

        UHAUHAUAHUAHUAHUAHUAHAUHAUHAUHAUHAUHAUHAUHAUHAUAHUAHUAHUAHAUHAUHAUAHUAHUAHUAHAUHUAHUAHAUHAUHAUHAUHAUAHUAHUAHUAHAUHAUHAUAHUAHAUHAUHAUHAUAHUAHUAHUAHAUHAUHAUAHUAHUAHUAHUAHUAHAUHAUHAUH

        gente, não acredito que li isso.

        Sofisma da pior espécie? Ou analfabetismo funcional? Estou em dúvida.

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      2. Muito profundo o seu comentário, que não percebe o que está em questão: uma mulher foi agredida e não recebeu apoio da polícia. Foi avisada de que poderia ser processada. Êta, mundinho, viu?

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      3. Cara, ele bateu em uma mulher porque ela falou algo para ele, e é isso. Toda essa baboseira que você escreveu não faz sentido nenhum. Foi um caso de agressão, machismo e ainda com conivência policial. Seu troxa( me senti na obrigação de te xingar)

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    1. Acho que pouco importa o contexto pra justificar que um cara adulto agrediu uma mulher. Essa atitude é escrota em qualquer situação. Queria ver ser tão valente com alguém que fosse proporcionalmente mais forte que ele. Covarde de merda. Merecia passar um dia dormindo na cadeia pra ele saber se ele é tão foda quanto pensa.

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    2. Outro troglodita… não percebe que está sendo tratada uma questão social, violência, machismo, falta de apoio a vítimas de agressão com base em aceitação da própria violência. Isso sim é triste. Eu não agrido ninguém, não tenho medo de minha testosterona precisar ser extravasada dessa maneira. Por isso sou capaz de entender a questão a apoiar o texto.

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  11. Espero que o Coelho tenha avaliado esse tipo de jornalismo na disciplina do JC, né Paulo? Espero que ele tenha sido rigoroso.

    Me assusta bastante um estudante de jornalismo publicar declarações desse tipo. Como você publica a opinião de uma entidade desse modo?

    Você ouviu membros da atlética falando isso?
    Você entrou em contato com a atlética para saber o posicionamento dela?
    Você não pode sair por aí falando que essas possível falas – que você não ouviu – representam o posicionamento de uma entidade.

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    1. No texto eu citei “Membros da ECAtlética”, não disse em nenhum momento que este é o posicionamento da entidade. Você fez uma leitura equivocada do que eu escrevi. E como já disse em um comentário anterior, não, este post não se propõe a ser jornalístico. Leia com atenção.

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      1. Claramente, você está insinuando que este é o posicionamento da Atlética. Muito tendencioso.
        E outra… você nem estava lá para ter ouvido isso. Como você sai acusando uma entidade disso?

        Nem estou questionando o resto do texto, que acusaram de distorção. Estou indignada com a sua irresponsabilidade em publicar uma informação desse tipo sobre uma entidade estudantil.

        Mas tudo bem, pelo o que eu sei o Coelho foi bem rigoroso com esse tipo de sensacionalismo.

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      2. Como disse, não coloquei em nenhum momento a atitude de membros da Atlética como a entidade como um todo – isto é você quem está dizendo com todas as letras. Eu não disse nada sobre entidade, o que disse ou deixou de dizer, o que fez ou deixou de fazer, disse sim sobre a atitude do agressor (o texto todo é sobre isso, aliás).

        Agora, também acho distorção querer tirar o foco da discussão (a saber: o machismo que impera) e direcioná-la para uma questão “não quero que arranhe o nome da entidade”. A discussão é muito maior que isso e vocês ficam querendo diminuí-la; pegam pontos que não têm nada a ver com nada e ficam espetacularizando. Agressão à mulher não é normal e não pode ser tolerada.

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      3. Daniela, não sei como você passou por uma disciplina de jornalismo, qualquer que seja, sem saber definir o que é ou não um texto jornalístico.
        Fiquei assustado.

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      4. Não consigo responder diretamente para a “Flá”, mas venho em defesa da Daniela pois compartilho da opinião dela.

        A questão não é diferenciar texto em formato jornalístico, opinativo ou o que quer que seja. A questão apontada é que um jornalista tem que ter responsabilidade com o que fala e com a informação correta. O que ele passa sobre a ECAtlética é irresponsável e incoerente com o que um jornalista deveria fazer, em um blog pessoal ou não. Ele pode ter a opinião que for sobre a entidade, mas que o texto caracteriza um relato (não uma opinião) demonstra uma generalização e pressupõe sim um posicionamento do “organizador do evento”, isso ele demonstra.

        Ainda assim, o grande ponto, para mim, é o relato duvidoso de um episódio em que ele não participou. É foda fazer algo desse tipo sem saber direito o que aconteceu, usando uma versão unilateral para contar uma história em tom dramático.

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      5. E antes que digam que eu estou desviando a atenção, acho completamente natural o texto e a indignação do Paulo em sua opinião exposta abaixo do relato e, sinceramente, lamento o ocorrido pela Maria Marta.

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  12. Não conheço essa Marta, nem esse agressor ai. Só venho trazes uma informação que talvez já ate conheçam: o que os policiais disseram, segundo consta do relato, é que a Marta poderia ser processada por denunciação caluniosa. Mas, isto só ocorreria se a agressão não houvesse existido. Logo, como acredito que a violência deve ser reprimida, aconselho, como advogado e pessoa, que a agredida vá à delegacia e lavre um termo circunstanciado. Abraço

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  13. Ela pode gritar o nome do time tantas quantas forem as vezes que ela quiser. E em TODOS os lugares que ela quiser. Ela pode, sim, (ela pode!) gritar palmeiras na arquibancada do corinthans. O que ela NÃO PODE, nunca, é apanhar por qualquer coisa que ela tenha dito. Seja na intereca, seja na arquibancada do corinthans. Qualquer agressor é, unica e exclusivamente, um criminoso. Mais o que fazer o corpo de delito, mais do que denunciar esse agressor, ela deve denunciar esses policiais (por favor, me digam que vocês têm os nomes deles), preguiçosos, covardes e, além de tudo, ignorantes, intimidadores e machistas.
    Martinha, se você quiser alguém pra estar com você nessa, aqui estou.

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    1. A Marta foi na Delegacia da Mulher mas como ela não conhecia o agressor não foi configurado como violência doméstica. Assim, ela registrou B.O. como agressão comum. Não sei quais serão as consequências, mas caso vá até o fim, provavelmente ele terá de pagar cestas básicas ou fazer trabalhos comunitários. Nada mais, nada menos.

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  14. Concordo com o seu texto, Paulo, acho que o cara está totalmente errado e essa situação é um absurdo, mas só queria deixar claro que não foi ele que veio até ela, como você disse no seu texto. Eu estava lá e sou a amiga que foi junto com ela gritar no ouvido dele. Copio aqui trecho que a própria Marta colocou no facebook:

    domingo, InterECA (campeonato de futebol entre times da Escola de Comunicação e Artes da USP). O time para o qual eu torcia se chamava Unidos do Marlboro e eu estava gritando muito (quem me conhece sabe). Um cara sentado na minha frente colocou a mão no ouvido e disse rindo “grita mais baixo, por favor”. Eu disse que a quadra era bem grande e que ele podia ir pra outro lugar se quisesse. Depois de um tempo ele foi. No fim o time para o qual eu estava torcendo perdeu. Uma amiga disse rindo: “Marta, vai lá gritar Marlboro pra ele!” Eu e minha outra amiga fomos. Cheguei perto e gritei bem alto “Marlboro!”. Eu gritei na orelha do cara o nome do time para o qual eu estava torcendo. A resposta dele foi segurar meus braços, me dar uma rasteira e me derrubar no chão. Ele segurou minhas mãos para que eu não pudesse me apoiar no momento da queda. O cara me jogou no chão, no meio da quadra cheia de gente e saiu andando. Eu caí e bati o rosto.

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  15. Nossa, que estranho. Algumas coisas foram distorcidas da versão que ela deu no face hein! Longe de defender esse marginal que a agrediu mas vcs que tanto criticam a grande imprensa omitiram partes como ela ter ido atrás dele e gritar no ouvido dele. Repetindo!!! Não justifica nada, minha única crítica é ao jornalista que escreveu. Senão a credibilidade fica perdida.

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    1. Este texto não é um texto jornalístico nem tem pretensão de ser. Ela não gritou como provocação hostil, estava interagindo, enchendo o saco. Por isso suprimi esta parte, porque poderia levar, erroneamente, à suposição de que a Marta “pediu” para ser agredida.

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      1. Pois é, mas compromete a credibilidade sim, porque dizer que ele foi até ela é mentira, se foi o contrário que aconteceu de fato.
        Não defendo o ato de maneira alguma, acho desnecessário e muito errado, mas se é pra contar a história, que seja contada da maneira como ocorreu.
        Isso não justifica a agressão, lógico, mas gritar gratuitamente no ouvido de outra pessoa é também uma invasão de espaço, ainda mais sendo alguém totalmente desconhecido. Antes que venham dizer isso, não, não estou dizendo que ela pediu pra ser agredida, e nem que ela é culpada. Mas isso que você escreveu não é mera omissão de fatos, e sim uma pequena mentira.

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      2. Posso estar enganado, mas pelo que ouvi dos presentes, a discussão/provocação só tomou maiores proporçoes após a garota gritar praticamente “dentro ” do ouvido dele, não?

        Até então, os dois apenas haviam trocado meia dúzia de disparates e provocações, coisa normal. Quando o time perdeu, ele fez a provocação “final” e ela, com a maturidade que a idade lhe permite, parou ao lado dele e, quando ele virou, deu um berro em sua orelha… Que bela forma de interação!

        A reação dele foi abominável, sim. Não justifica a agressão, não! Ele não deveria ter empurrado ela de forma alguma. Alías, nem ela, nem ele, nem nada.

        Mas o que mais me impressionou foi a postura dela quando a pm chegou. A sua preocupacao não estava relacionada à agressão em si…

        A primeira coisa que ela disse quando ele chegou para pedir desculpas foi algo do tipo “mas vc nao falou pros seus amigos que a desculpa nao ia ser sincera?”, como uma criança de 10 anos discutindo com alguém mais velho. Parecia uma pura e simples pirraça.

        E foi aí que EU disse que ela estava bebada. E disse isso porque talvez a bebedeira justificasse chamar polícia para fazer pirraça. Quando soube da chegada da pm, fui com o testa até a viatura e convesei com ele sobre sua atitude lastimável e quando chegamos lá, a agressão era o fundo musical de uma discussão idiota.

        Aliás, aposto que se uma pessoa desavisada chegasse naquele momento, JAMAIS associaria aquela confusao com o fato que vc narrou neste texto.

        Mas talvez ela tenha mudado de opinião entre ontem e hj e achado que a agressão era mais importante que um birrinha… direito dela.

        Quanto ao texto, pessoalmente acho este lance de dizer que “‘é um blog”, “não é jornalístico” não justifica alguem escrever o que quiser. Mas esta discussão não é nem um pouco simples…

        Vc inicia o texto com o que realmente parece uma crônica, com uma versão extremamente parcial. E ainda inicia a segunda parte com a frase “A história acima, infelizmente, é real”, dando nomes ao fato numa tentativa de ganhar credibilidade (técnica, aliás, típica de um texto jornalístico, não?). Nem vou mencionar o tag nos nomes….

        Sem falar nas generalizações… o testa é machista, um brutamontes… tudo isso baseado em 1 atitude errada.

        lamentável atitude dele, lamentável postura dela perante o fato, lamentável texto.

        tudo combinando.

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  16. Lindo o texto! A história é triste, mas de fato ver a Marta mostrando toda sua força é bonito de ver.
    Incrível é saber que, apesar da dimensão que isso parece ter para muitos (como tem para nós), alguns pobres coitados ainda conseguiram pensar na imagem do evento, que seria arranhada com a chegada da polícia. Esse tipo de coisa não se deixa como está. Tem que arranhar mesmo! O evento, as pessoas que estavam lá e toda a nossa sociedade. Só arranhando essa imagem machista é que a mulher vai conseguir ter espaço pra viver sua vida, sem precisar se enquadrar nesses moldes do homem machinho.
    Espero que a Marta continue gritando muito e quando quiser. Se alguém desgostar, que lhe fale como uma pessoa civilizada, não como um completo irracional que aplica rasteiras (isso não soa irreal? porque pra mim, sim!) só porque foi contrariado.

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    1. Quanta gente preocupada com a imagem da Atlética. Ninguém ficou preocupado com a cara da menina? Na minha terra e por onde ando, nego que bate em mulher toma em dobro. Essa historia é quase surreal e só não é pq a sociedade em que vivemos se preocupa mais com a imagem do que seu próprio conteúdo. Aqui não é um grande jornal para que se conte os fatos. A maior questão a ser levantada é o desequilibrio de seus amiguinhos descontrolados. Hoje existe o direito dos animais e parece que essa estirpe se enquadra bem. Lamentável…

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