Mais um “descontrole nervoso”?

Ontem a Polícia Militar entrou no campus de Guarulhos da Unifesp. Veja o vídeo que os estudantes fizeram da abordagem policial. Haja calmante, meu amigo!


A Unifesp está em greve desde o dia 23 de março e na esteira dela outras mais de 50 universidades federais. Lá, como cá na USP, a reitoria chama a Polícia Militar para reprimir os estudantes que estão exercendo o seu direito de se manifestarem. Lá, como cá, a truculência não é menor.

Ontem a PM entrou no campus de Guarulhos da Unifesp pela segunda vez. Ontem mesmo eu soube que a situação não estava lá das melhores e que haviam sido disparados tiros.

Estudantes postaram um vídeo de quase quatro minutos da abordagem policial (veja no final do artigo). O que se vê são dois grupos, um de estudantes que cantam palavras de ordem e o outro é o de policiais. Os estudantes não têm armas, não quebram nada, apenas cantam palavras de ordem. Os policiais sussurram entre si. De repente, um dos policiais voa no pescoço de um(a) estudante e o leva para as viaturas, que estão a alguns metros atrás dali. Os outros dão retaguarda barrando os estudantes e disparando tiros de borracha.

Pergunto: há crime em cantar palavras de ordem? E o que o policial alegará? Que o crime foi o de “perturbação da ordem”? Ou a PM vai alegar que essa é mais uma das tantas exceções, como a do policial que foi pra cima do estudante da USP, no começo do ano, como a tortura e morte de seis suspeitos pela ROTA, como a ação em Pinheirinho, etc.?

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Em tempo: os alunos detidos foram acusados de, entre outros, “formação de quadrilha”. Isso por protestar na frente da faculdade, por gritar palavras de ordem. Só lembrando que para se ter uma quadrilha formada é preciso que o mesmo delito seja feito por diversas vezes e que este crime é inafiançável. Qual foi a reincidência? Gritaram repetidamente?

Autor: Paulo Fávari

Paulo Fávari é mestrando em Artes Cênicas pela Escola de Comunicações e Artes da USP com o tema O trabalho experimental de Chico de Assis nos anos 1960: direção, dramaturgia e pedagogia, sob orientação do professor Sérgio de Carvalho. É também pesquisador do Laboratório de Investigação em Teatro e Sociedade (LITS). Graduado em Jornalismo pela Escola de Comunicações e Artes da USP.

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