Na briga DCE x Comando de Greve, perde o Movimento Estudantil


Para comentar o que aconteceu ontem na Assembleia dos Estudantes da USP, é necessário que façamos uma digressão. É quase consenso que o DCE Livre se mostrou fraco e pouco atuante ao longo deste ano. No entanto, fomos nós estudantes quem elegemos. Como o DCE é a entidade que representa os estudantes e estas assembleias são dos estudantes, é a única entidade possível que pode convocá-las.

Um outro ponto. É inconcebível, agora, realizar eleições para o DCE. Estamos num momento de intenso debate, de mobilização. Se se monta as eleições agora, implode-se o movimento de greve, que fez ressurgir o Movimento Estudantil.

Setores do Movimento Estudantil compostos principalmente por militantes do MNN (Movimento Negação da Negação) e do LER-QI (Liga Estratégia Revolucionária – Quarta Internacional) captaram essa fraqueza do DCE ao longo do ano (para melhorar a leitura, vou chamar esses setores a partir de agora de Segundo Grupo).

Foi o Segundo Grupo o responsável pela ocupação da reitoria. Como a ocupação culminou na ação policial, e a ação policial culminou na greve, o Segundo Grupo se sente dono da greve e responsável pela mobilização estudantil que estamos vendo agora.

O Segundo Grupo é contrário ao DCE e está capilarizado no Movimento Estudantil. Por conta destes dois fatores, o Segundo Grupo tem mais peso no Comando de Greve – apontar este fato é essencial para o resto do artigo.

No entanto, por mais que haja divergências entre estes dois grupos, eles são uma parte muito pequena das assembleias e, sobretudo, do Movimento Estudantil.

As assembleias

Por conta das picuinhas políticas entre DCE e Segundo Grupo citadas acima, há tentativas sistemáticas de lado a lado de manobragem das assembleias. Por mais que a plenária se expresse, que peça agilidade, que queira votar, tanto DCE quanto o Segundo Grupo agem de modo ególatra, dando de ombros à plenária.

Dá-se da seguinte maneira. Vota-se o teto da assembleia, geralmente marcado para as 22h30, posto que grande parte da plenária depende do sistema público de transportes para regressar. O que se vê em seguida é uma enxurrada de propostas de votação ou insignificantes ou quase consensuais. A plenária se expressa, indicando que será uma votação fácil, sem maiores problemas. Imediatamente, os propositores pedem defesa de suas propostas. Abre-se defesa aos contrários e aos favoráveis à proposta e em seguida vota-se a proposta. Como durante as defesas foram expostas opiniões polêmicas, aqueles que se abstiveram na votação sentem necessidade de declararem suas abstenções.

O tempo que se perde com isso é enorme. A consequência é que fica-se discutindo pautas alheias à greve por tempo demais e sobra umas migalhas para o que realmente interessa. Não adianta a plenária clamar por bom senso, os propositores, ególatras que são, são irredutíveis. Fazem questão de haver defesas, fazem questão de levantar questões de ordem, fazem questão de declarar abstenções.

Mas isso é parte do problema. A outra parte é que com essa manobra, as propostas polêmicas são quase sempre levadas a votação no fim das assembleias, quando resta cerca de 20 minutos para seus términos. Não contentes, tanto DCE quanto o Segundo Grupo, fazem questão de polemizar ainda mais. O resultado é uma votação atribulada – já vimos isso na assembleia que culminou na ocupação da reitoria.

Quando a mesa é fraca, como foi ontem, DCE e Segundo Grupo deitam e rolam.

Assembleia na Poli

O que se viu ontem não foi diferente. Iniciou-se a assembleia votando pontos pífios, como a anexação ou não da bandeira “Pelo fim do vestibular”. É uma bandeira justa mas que não cabe no cenário de greve que propomos. Ou melhor, cabe indiretamente, pois se queremos uma estatuinte, o vestibular será reavaliado na sua feitura. Voltando à linha de argumentação, o resultado da votação deste ponto, assim como o de mais pelo menos outros quatro, se deu por amplo contraste (na questão do fim do vestibular, venceu a não-anexação). A plenária se manifestou no momento da leitura das proposições pedindo que se votasse sumariamente. Os propositores agiram do modo como descrevi acima.

Por volta de 22h entrou em pauta a discussão sobre quem organizará a Calourada Unificada, ano que vem. Uma proposta muito polêmica. Isso porque as opções eram: a organização ficar com o DCE ou com o Comando de Greve (onde o Segundo Grupo é mais forte). Pronto, criou-se a guerra.

Esta pauta fazia parte do núcleo “Calendário”, terceiro de uma lista de sete núcleos. Por conta de uma mesa que nem mesmo conseguia ler claramente a proposta, a “assembleia” (leia-se DCE e Segundo Grupo) ficou em discussão por quase uma hora e ainda assim não houve entendimento total, pela plenária, do que estava sendo votado.

Quando enfim chegou o momento da votação, outro impasse: sistematicamente, alegava-se não aferimento de contraste. Votamos a proposta cerca de cinco vezes e só se chegou a um resultado, beirando às 23h (o teto era 22h30), quando se dividiu a plenária em metades, qual torcida organizada. Com isso, e não era de se esperar o contrário, a plenária rachou e decidiu-se pelo Comando de Greve organizar a Calourada Unificada. Virou mesmo guerra de torcidas.

Tudo ok? Ainda não. Durante a votação, foi requisitada uma proposta de consenso – que a mesa negou veementemente. Após a decisão do resultado, integrantes do DCE tentaram propor adendos para, de certa forma, lhes garantir um pouco da organização. Picuinha política. A plenária começou a se esvaziar, todo mundo já estava de saco cheio do atentado à inteligência que nós, plenária, estávamos sofrendo. Estávamos nos sentindo plateia e não plenária.

Entrou em votação a proposta para votar o calendário que tinha sido acordado entre os propositores do calendário numa reunião durante a assembleia. As atividades consensuais iam até quarta-feira da semana que vem, quando estava marcada a próxima assembleia. As atividades não-consensuais estavam marcadas para quinta e sexta-feiras da semana que vem, portanto, após a próxima assembleia. A proposta de votação era que se votasse sumariamente pela aceitação ou não do calendário até quarta-feira, ou seja, a aceitação das atividades consensuais.

Novamente, beirando às 23h, reivindicou-se defesa porque estavam em desacordo com uma proposta consensual! Eles queriam que as atividades não-consensuais fossem votadas uma a uma. Eram três, incluindo uma proposta de ato no Copom contra a taxa de juros! Manobra deslavada.

Defendeu-se e votou-se. Ganhou, obviamente, a aceitação do calendário até quarta-feira e adiamento da votação das outras atividades para a próxima assembleia. Por sorte e por exercício de paciência da plenária, a assembleia não foi implodida porque apesar de um grupo da plenária já ter ido embora, ainda havia muita gente ali.

Para concluir, é crucial que tanto DCE quanto o Segundo Grupo tenham bom senso. Ou parte a parte entra em acordo, fazendo concessões e se entendendo, ou perderão a chance de ouro de conseguir vitórias com essa greve. A plenária não é burra. Se se continuar essa picuinha, além de a greve não dar em nada, o Movimento Estudantil vai voltar novamente ao limbo. Isso porque grande parte das plenárias são compostas por militantes de primeira viagem, que não se sentiam atraídos ao Movimento Estudantil justamente por conta dessas discussões.

Autor: Paulo Fávari

Paulo Fávari é mestrando em Artes Cênicas pela Escola de Comunicações e Artes da USP com o tema O trabalho experimental de Chico de Assis nos anos 1960: direção, dramaturgia e pedagogia, sob orientação do professor Sérgio de Carvalho. É também pesquisador do Laboratório de Investigação em Teatro e Sociedade (LITS). Graduado em Jornalismo pela Escola de Comunicações e Artes da USP.

21 comentários em “Na briga DCE x Comando de Greve, perde o Movimento Estudantil”

  1. Paulo, parabéns!!
    Enfim alguma clareza no que está acontecendo no ME.
    Estão se confundindo opiniões de “partidos” com opiniões do ME, podem haver bandeiras comuns entre os dois movimentos, mas não o que vem ocorrendo no atual momento, onde o que se vê são na maioria bandeiras externas ao ME.
    Excelente texto.

    Curtir

  2. Olá, xará. Primeiramente, parabéns pelo texto e pela iniciativa de fazê-lo.

    Penso que o que coloca nele não expressa apenas um sentimento de muitos estudantes, mas também um debate fundamental para a ampliação da legitimidade do Movimento Estudantil, e consequentemente suas conquistas concretas e seu papel formador e transformador da realidade.

    Não é novidade pra ninguém que o questionamento ao ME tem crescido nos últimos anos. Isso se dá tanto pela ampliação de um setor conservador organizado dentre os estudantes, quanto pela própria forma com que as disputas políticas se expressam nos espaços do movimento. Ambos processos acontecem num momento de grande despolitização da sociedade e dos estudantes ingressantes na universidade, onde a cultura democrática e de militância política estão longe da realidade da maioria. E isso tudo se retroalimenta.

    Nesse sentido, o que você levanta no texto é, no fundo, a necessidade urgente de se fortalecer, legitimar e reorganizar os fóruns de debate e deliberação do ME. Isso passa, certamente, pelo bom senso que você evoca, mas não só. É preciso, de um lado, que os grupos políticos organizados repensem sua atuação e tenham clareza da responsabilidade que têm. De outro, que os próprios espaços, a partir da experiência acumulada, apontem o que precisa ser corrigido e imponham aos grupos algumas regras mínimas de respeito e valorização do próprios espaço coletivo e democrático de discussão.

    Um outro ponto, que não pode deixar de ser tocado, é que não se pode também colocar a atuação de todos os grupos num mesmo balaio. Infelizmente, o cenário que apontei ali acima tem feito com que uma lógica de desrespeito aos fóruns do movimento se amplie. E enxergo isso mais fortemente em dois setores: nos mais à direita, que fazem de tudo pra taxar os espaços do ME como antidemocráticos, mesmo que a partir de mentiras e distorções sobre o que de fato de discute e se vota nos mesmos, se aproveitando de preconceitos ou do desconhecimento que muitos estudantes têm sobre esses espaços; e na “ultra-esquerda” (que você chamou de “segundo grupo”), que transformam todo e qualquer espaço em um lugar para se marcar posição e se disputar tudo, mesmo que de forma fratricida, a partir de uma prática de denuncismo e vanguardismo (por se acharem os “dirigentes natos” de qualquer mobilização, contra todos os “pelegos” que querem “boicotá-la”).

    Mas, após essas pontuações e reflexões, quero aqui levantar alguns elementos para se repensar e reorganizar na prática os espaços do ME. A primeira delas, claro, é cobrar de TODOS o respeito aos espaços e às decisões tomadas nos fóruns do ME (Congresso dos Estudantes, Assembléias Gerais, Conselhos de Centros Acadêmicos e reuniões da diretoria do DCE, cada qual com suas atribuições). Não dá pra que fulano deslegitime a assembleia quando ela toma decisões contrárias à sua visão, ou beltrano deslegitimar o CCA e os CAs quando as decisões por eles tomadas não o agrada.

    Outra questão bem prática é quanto à organização dos espaços, principalmente da Assembleia Geral (espaço mais complexo e atribulado). É preciso respeito à mesa e às falas (como você também apontou). É preciso valorizar o debate e organizar os encaminhamentos, e uma medida importante pra que superemos o problema das “declarações de abstenção” é que se encaminhe que todas elas sejam feitas por escrito, e não oralmente na plenária, e sejam anexadas à ata da assembleia. Medida simples, mas importante.

    Outros apontamentos também podem ser feitos, mas por enquanto imagino que esses sejam os centrais. Deixo, por fim, novamente, os parabéns pela sua iniciativa. Espero que você continue participando (e cada vez mais ativamente) dos espaços do movimento. Leve propostas e sugestões para a organização das assembleias, não deixe de colocar algo que considera importante, e continue fazendo suas reflexões e debatendo com seus colegas. Estou aberto a trocar ideias contigo caso queira. Até mais. Abraço.

    Curtir

  3. Não entendeu nada sobre o movimento estudantil… É justamente o debate que enriquece o ME. Votações sumárias e falta de defesa contribuem para a despolitização do movimento.

    “Fim do vestibular” é uma questão pífia? Fale isso pros 120 mil candidatos da Fuvest. São esses debates que deviam ter mais tempo de defesa. É por essas bandeiras que o ME devia se mobilizar.

    Pra não dizer que seu desconhecimento é tamanho que você sequer sabe o grupo que faz parte do DCE, que é o MES/PSoL. Pior ainda, acha que o “Segundo Grupo” é realmente um grupo que possui posições iguais. Pergunta: já que são tão coesos, por que não militam juntos?

    Informe-se, companheiro!

    Curtir

  4. URGENTE Paulo!!!

    Sou o Homero, aluno da Pós-graduação. Como você já deve ter visto, postei um comentário apoiando seu texto e expressando a minha indignação com a Assembléia e alugns grupos do movimento estudantil. Visto isso, motivado pelos outros comentários que você recebeu e por conversas que tive com alguns amigos e colegas também grevistas, estou pensando numa ação de repúdio às atitudes desses grupos que atravancam as Assembélias em vistas de seus interesses e que, portanto, podem comprometer o movimento estudantil.
    Por isso, peço-te autorização para utilizar o seu texto nessa ação que pretendo propor. Quanto aos detalhes da ação, imagino que você entenda que não posso aqui explicitá-los, portanto, paço-te o meu e-mail, caso queira saber e colaborar com o texto: homjazz@yahoo.com.br

    Peço-te urgência na resposta, pois temos assembleia da Pós na terça-feira próxima.

    Obrigado.

    Curtir

  5. Essa greve já começou errada, só acumulou perdas e seria digno acabar com ela logo.

    E acho assembleias algo jurássico. Temos outras ferramentas para avançar um debate democrático, como este blog, as redes sociais e a votação eletrônica.

    Ninguém merece esse circo.

    Curtir

  6. Olá Paulo, me chamo Homero e sou aluno da Pós- Gaduação da USP. Gostaria apenas de comentar que o seu texto está perfeito, e ele expressa não só o meu ponto de vista, e indignação, como tenho quase certeza de que expressa também o de muitos colegas meus, da Pós e da Graduação, pois estamos mobilizados na greve mas, no entanto, devido ao amadorismo desses grupos políticos, fico cada vez mais cético quanto ao andamento daquela.

    Curtir

  7. Parabéns pelo texto!

    Na quarta-feira, senti-me extremamente desrespeitada com toda aquela clara disputa de poder que estava desgastando a tod@s que querem levar o movimento adiante! Grande parte do movimento, os reles plebeus como citou um companheiro indignado, não está ligado a nenhum dos dois lados e estão ali em prol de uma universidade mais democrática.

    A estratégia de favoráveis a uma proposta perdedora se absterem e aproveitarem do tempo para ter espaço de fala e continuar batendo na mesma tecla é o que mais me irrita.

    Acho que falta a esses grupos um grande exercício de autocrítica. Parece que os eixos da greve estão cedendo lugar para disputas de quem controlará a mesa e o movimento daqui pra frente.

    Enfim, é preciso também que nós que discordamos de como as coisas estão sendo levadas nos manifestemos nas Assembleias e nos outros espaços de mobilização estudantil.

    Curtir

  8. Muito obrigado, Paulo. Seu texto é um exemplo de lucidez. Estive na assembleia e foi exatamente o que ocorreu. As picuinhas, o desrespeito à plenária e a ineficiência da mesa foram extremas.

    Um forte abraço,

    Daniel Fonseca (pós/letras)

    Curtir

  9. Curiosamente , ocorreu uma Assembléia no IFCH ontem.
    E o cenário é o mesmo, não que haja, no caso do IFCH, uma manobragem, nestes termos, ao menos eu não acho que seja explicita. De qualquer forma, os grupos organizados que se expressam na Assembléia, são incapazes de arredar um pézinho dos seus pontos, que parecem mais princípios morais inexoraveis. Muitas vezes pontos que a Assembléia não discutiu ou não tem condição de discutir (devido à extensão da pauta, ou o horario que já avançou muito) são colocados, exceto se houver reação significativa da plenária.

    Outra coisa, há, muitas vezes, um carater moral na discussão política. Onde certa pauta é construida enquanto idéia de “Justiça”, aquilo que é bom, e seus defensores os “verdadeiros defensores da universidade publica”, e as outras propostas, que muitas vezes não são sequer opostas são tratadas no campo “é um absurdo alguém pensar dessa forma no IFCH”, muitas vezes não se houve, e se reduz a questão política levantada a um rótulo: reacionário, direitista, etc…

    Uma vez disse que a discussão política nos espaços de reunião (porque essa desgraça também costuma acontecer nas nossas reuniões de C.A.) está mais para Coliseu do que para Àgora.

    A gente precisa se repensar. Rever nossas práticas. Acho que isso que já vem acontecendo. Estamos cansados das velhas formas, nos indignamos sim, por muitas causas iguais. Gosto de pensar que, de uma certa maneira, estamos nos reinventando.

    Outros movimentos estudantis possiveis.

    Deixe-me pergunta-lo amigo, quem é o grupo que está no DCE aí de você?

    No mais, peço desculpas por não ter enviado nenhum material de nossa greve, mas é que acabei não pegando ainda o material que tá circulando pela net, mas assim que o tiver te mando.

    Abraços !!!

    Curtir

    1. Olha, não saberei te responder com clareza até porque eu só me envolvi mesmo com o Movimento Estudantil a partir do ocorrido na FFLCH. Eu sempre fiquei mais ou menos de olho, mas envolvido mesmo, só depois disso. Tenho pra mim pelo que ouço que a maioria do DCE é composto por membros do PSTU. Mas não sei te precisar isso porque eu nunca fui a fundo.

      Curtir

  10. Acho que o Diogo não entendeu o ponto principal do seu texto, Paulo. As richas entre o DCE e o Segundo grupo (como você chamou) são desgastantes pra quem vai na Assembleia. Essas brigas, discussões por pontos nada importantes pro movimento desanimam muito! O que se pede é bom senso nas assembleias pra que elas sejam mais eficientes e claro, respeito pelos que divergem da sua opinião, coisa básica isso.

    Curtir

  11. Por favor, tenha bom senso. Não tente deslegitimar as decisões da assembleia. Isso é manobra, como você bem gosta de dizer (aliás, como alguém querer VOTAR se haveria participação no ato do COPOM pode ser manobra? Pra mim, não tem sentido. Mas, apesar disso, também prefiro que isso seja deixado pra próxima assembleia, pra ser discutido com mais calma e mais gente e mais ideias). A votação da organização da calourada foi realizada e o lado favorável ao comando de greve venceu. Ou seja, houve maioria. Agora não consigo entender que você (que defendeu a proposta derrotada) e membros do PSTU e do DCE, após a votação ter sido realizada, venham tentar dizer que a plenária não estava esclarecida. Digo o porquê, o lado vitorioso pareceu ter entendido a proposta (já que não ficou tentando deslegitimar o que tinha sido decidido) e já tinha a maioria. Se o lado derrotado, que ficou a tentar implodir a assembleia, não estava bem esclarecido (“discussão por quase uma hora e ainda assim não houve entendimento total, pela plenária, do que estava sendo votado”) é porque não se atentou ao que ficou sendo discutido absurdamente durante UMA HORA. Caso o motivo não tenha sido esse, há um problema na condução da mesa, mas não há diferença, pois o outro lado conseguiu a maioria e venceu a votação. Isso é democracia. Não cabe agora o próprio movimento estudantil ficar apontando alvos e tentar deslegitimar o que ele mesmo decidiu. Esta foi uma decisão dentro da lógica exigida para a sua organização. Se a democracia nesses moldes é o modelo ideal, daí já é outra questão. Quanto ao consenso, acho estranho alguém pensar nisso quando há uma proposta que defende categoricamente um ponto e outra que o desconsidera em absoluto. A afirmação e a negação andam bem distantes. Como bem dizia o Itamar Assumpção, entre o SIM e o NÃO existe um vão. Por favor, não tente enchê-lo só com as suas ideias, as decisões são de TODOS.

    Curtir

    1. Eu não estou aqui reclamando das decisões tomadas. Votei contra o Comando de Greve coordenar a Calourada Unificada, mas não estou de modo algum deslegitimando o resultado da decisão. Outra coisa, eu não sou ligado a nenhum grupo (DCE, MNN, LER-QI, etc.). Portanto, não há porquê eu defender este ou aquele grupo. Do jeito que você colocou no comentário, dá a entender que eu sou partidário do DCE, não sou; e dá a enteder que só escrevi o texto porque não gostei do resultado, não é verdade, escrevi este texto porque me incomoda a falta de bom senso de parte a parte. Talvez isso tudo não tenha ficado claro no meu texto.
      O que eu considero manobra (e aí é manobra tanto do DCE quanto do Segundo Grupo) é a discussão desnecessária de propostas quase consensuais, a inflexibilidade dos autores das propostas quando a plenária clama por uma votação sumária, etc. Considero isso manobra porque gasta-se um tempo desnecessário discutindo estas coisas, votando como se vai votar, entre outros, enquanto outros pontos mais vitais não são nem debatidos.

      Curtir

      1. Concordo que ficam tentando prolongar a discussão de besteiras pra foder todo o rolê. Mas não liguei você a nenhum grupo, liguei você a uma proposta ( “não consigo entender que você (que defendeu a proposta derrotada) e membros do PSTU e do DCE…” ), que foi o que se notou naquela reunião, inclusive espacialmente, já que se dividiu a assembleia e ficaram de um lado uns radicais comemorando enfadonhamente e de outro radicais fazendo birra. Acho uma falta de bom senso chegarmos a um ponto de ter de se defender em plenária o que já foi decidido pela própria plenária. Votou, pronto, próxima pauta. Não tem de se haver mais discussão sobre isso, a não ser em outra assembleia.
        Me desculpe se fui incisivo demais, mas é que ontem a postura de algumas pessoas na assembleia realmente me irritou. Até mesmo amigos agiram de maneira que considerei sorrateira e ainda não sei qual vai ser minha relação com eles depois disso. O meu ponto é que, dessa assembleia, não tem de ficar a discórdia e a mesquinhez de alguns grupos políticos, mas as decisões democráticas e a construção dessa mobilização que, apesar dos pesares, aconteceu mais uma vez. Tamo junto, brô.

        Curtir

  12. Parabéns, Paulo!! Tive que ir embora antes de acabar a Assembleia e saí no meio dessa briga, não vi o fim da palhaçada. Às vezes eu tenho quase dó do pessoal do DCE hahaha. Só discordo que eles foram tão inativos assim esse ano, eles fizeram bastante coisa até, acho que a mais significativa pra mim foi terem ajudado as mobilizações pra nao fecharem o cursos lá da EACH… Mas ainda sofrem um sério problema de representatividade. Enfim. Ótimo texto :)

    Curtir

Comente

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s