Documentário é gênero predominante na mostra O Cinema da USP


Para Agência Universitária de Notícias

Na semana de 19 a 23 de setembro, o CinUSP exibe a mostra O Cinema da USP, em que serão exibidos filmes feitos por alunos, professores e funcionários da universidade. A mostra faz parte da décima sexta Semana de Arte e Cultura da USP.

Dentre os 22 filmes selecionados, das mais variadas metragens, a grande maioria é do gênero documentário. Ricardo Koiti Abreu Miyada, aluno do curso de audiovisual e produtor da mostra, especula que essa predileção pelo gênero seja em função de sua proximidade com o método científico, atuando como uma ferramenta para se chegar ao conhecimento.

Outro ponto marcado por Miyada é que para fazer ficção, o diretor precisa se interessar pela própria narrativa cinematográfica. “Isso acontece naturalmente com os alunos de Audiovisual, já que faz parte da própria estrutura curricular dos cursos. Além disso, os filmes de ficção costumam exigir uma estrutura de produção mais complexa do que os documentários, com equipes maiores, etc”, comenta.

Como nem todo mundo tem afinidade com os meios necessários para se produzir conteúdo audiovisual, há um outro fenômeno na mostra: a maioria dos filmes são de alunos de Jornalismo e Audiovisual. E muitos destes filmes são vinculados ao currículos, ou seja, são trabalhos feitos para disciplinas da faculdade. No entanto, Miyada frisa também que “Ainda assim, há filmes da FFLCH, por exemplo, e até um da Matemática. Embora a maioria dos filmes seja de alunos, há uma série de filmes do Videofau, que produz em conjunto com diversas outras unidades da USP”.

Programas

Como a produção é muito heterogênea, a curadoria da mostra buscou agrupá-los criando programas. Dois longas são programas em si, Segundo Capítulo e Cães Errantes. Já os outros programas são temáticos. Memória I e II buscam recuperar e documentar tradições à beira da extinção. Cidade I e II trazem filmes que tentam averiguar o espaço urbano e sua relação dos indivíduos. Já Escola I e II fazem reflexões sobre o ensino e sobre a USP. Há ainda o programa Ficções?, que congrega os filmes ficcionais – “o ponto de interrogação está aí porque cada filme possui um grau variado de construção da realidade”.

Segundo Capítulo

Ricardo Azarite, recém-formado em Jornalismo, é um dos diretores de Segundo Capítulo. Ele viu a divulgação da Mostra e resolveu sugerir a inscrição do longa aos outros diretores: Guilherme Dearo, Marina Yamaoka e Roberta Figueira. Eles concordaram, fizeram a inscrição e foram selecionados. “Posso dizer que foi surpreendente quando vi a lista da nossa seleção”, comenta Azarite.

O documentário é resultado de uma disciplina obrigatória do curso de Jornalismo e surgiu de uma ideia inusitada: reunir depoimentos sobre grandes escritores contados por seus filhos. Com isso, o grupo fez prestou homenagens aos autores e a seus filhos, mas também trouxe uma dimensão mais mundana dos autores, que são ícones brasileiros.

Segundo Azarite, “a importância do nosso documentário se dá no momento de agregar idiossincrasias a ícones mistificados da cultura brasileira, transformamos pessoas idealizadas em pessoas comuns”. Ainda de acordo com ele, os autores reunidos contribuíram para a construção de um momento literário brasileiro “mas tiveram um valor ainda mais crucial na construção da personalidade de seus filhos, essa, talvez, a principal obra em suas vidas”.

Como não poderia deixar de ser, histórias interessantes surgiram durante as gravações, que foram feitas predominantemente no Rio de Janeiro. Azarite conta que Marília de Andrade, filha do Oswald, se comoveu muito durante as gravações e foi a única que trouxe objetos pessoais do pai. Já Georgiana de Moraes, filha do Vinicius, fez um gracejo. Ao final das gravações “ela ofereceu água pra gente brincando ‘o Vinícius prefereria um whisky, mas eu só tenho água pra servir’”, relembra Azarite.

Serviço

A mostra O Cinema da USP está em cartaz de 19 a 23 de setembro no CinUSP Paulo Emílio, que fica no favo 4 da Colmeia, na rua do Anfiteatro, 181, Cidade Universitária. As exibições, como de costume, são feitas em dois horários: uma às 16 horas e outra às 19 horas.

Autor: Paulo Fávari

Paulo Fávari é mestrando em Artes Cênicas pela Escola de Comunicações e Artes da USP com o tema O trabalho experimental de Chico de Assis nos anos 1960: direção, dramaturgia e pedagogia, sob orientação do professor Sérgio de Carvalho. É também pesquisador do Laboratório de Investigação em Teatro e Sociedade (LITS). Graduado em Jornalismo pela Escola de Comunicações e Artes da USP.

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