Sem drama


O cenário simples joga na nossa cara aquilo que, quando passamos em frente, viramos o olho: a favela. Com seus barracos de madeira e restos, com o lixo. Estamos dentro de Hospital da Gente, do paulistano Grupo Clariô de Teatro.

Ao longo da peça, de 1h40, vão se revelando os rostos – femininos – de uma favela em toda a sua potência. Desfilam putas e santas, evangélicas e mães de santo, branquelas e negras. O texto, como não poderia deixar de ser, também é contrastante. São desabafos que vão do cômico ao visceral em questão de minutos. E assim, somos convidados a entrar na favela para tomar um cafézinho e acabamos nos envolvendo com as histórias, com os causos e com os cantos africanos.

A realidade, posta às claras assim, sem cerimônia, sem dramalhão, dói e choca. Talvez esteja aí a potência da peça. Quem assiste, garanto, não se arrepende.

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Autor: Paulo Fávari

Paulo Fávari é mestrando em Artes Cênicas pela Escola de Comunicações e Artes da USP com o tema O trabalho experimental de Chico de Assis nos anos 1960: direção, dramaturgia e pedagogia, sob orientação do professor Sérgio de Carvalho. É também pesquisador do Laboratório de Investigação em Teatro e Sociedade (LITS). Graduado em Jornalismo pela Escola de Comunicações e Artes da USP.

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