Em Julho, ponto.


Enredo envolvente dribla os clichês do gênero.

CONTÉM DETALHES DO ENREDO!

Algum lugar da Bélgica, ao meio dia. Um homem no deserto olhando para o Sol. Calor escaldante. Dirige-se ao carro parado, abre o porta-malas, verifica o defunto e mata algumas moscas. Surge outro homem que pede ao primeiro uma carona. O primeiro estranha o fato do andarilho falar alemão. Após uma discussão, um atropelamento e uma brincadeira, o homem dá carona ao andarilho. É assim que começa a comédia romântica Em Julho. (Im Juli., Alemanha, 2000), de Fatih Akin.
O filme conta a história de Daniel Bannier (Moritz Bleibtreu), um jovem alemão aspirante a professor à procura de seu Sol. A saga começa quando Juli (Christiane Paul), apaixonada por Daniel, lhe vende um anel maia com a figura de um Sol e faz a previsão de que ele irá encontrar em breve uma moça, com um Sol igual. Em seguida, o convida para um festa.
A previsão, obviamente, é um jogo de Juli; a criação de uma oportunidade para que se conheçam. Mas como isso é cinema, Daniel vai à festa e acaba conhecendo Melek (Idil Üner), por quem se apaixona.
Melek é turca e está de passagem pela Alemanha. Ao passar em frente a uma festa procurando algum lugar para passar a noite encontra Daniel, que oferece sua casa. Durante a noite, diz que é de Istambul e menciona seu lugar preferido: o banco de um parque de lá. Usava uma camiseta com um Sol maia estampado.
Juli vê o encontro de Daniel com Melek na festa. Decide, então, sair viajando sem rumo. Melek, na manhã seguinte, volta a Istambul. Daniel, crente na previsão, decide viajar de carro (estamos no cinema) até Istambul para se encontrar com sua amada.
Não é preciso dizer que Daniel e Juli acabam fazendo a viagem juntos. Nem que essa viagem fará ele se apaixonar por ela. Muito menos que no fim eles ficam juntos. Afinal, é uma comédia romântica.
Engana-se, no entanto, quem possa achar que é mais uma comédia romântica. O próprio início está lá, como que Akin dizendo ao espectador “Este filme é diferente, viu?!”. O humor sutil por vezes nos remete a títulos mais novos, como Juno e (500) Dias Com Ela. As reviravoltas na trama, O Fabuloso Caso de Amélie Poulain. Enfim, Akin acertou a mão neste filme de roteiro criativo e direção ágil.

Título: Em Julho.
Título Original: Im Juli.
Ano: 2000
Origem: Alemanha
Diretor: Fatih Akin
Roteiro: Fatih Akin

Autor: Paulo Fávari

Paulo Fávari é mestrando em Artes Cênicas pela Escola de Comunicações e Artes da USP com o tema O trabalho experimental de Chico de Assis nos anos 1960: direção, dramaturgia e pedagogia, sob orientação do professor Sérgio de Carvalho. É também pesquisador do Laboratório de Investigação em Teatro e Sociedade (LITS). Graduado em Jornalismo pela Escola de Comunicações e Artes da USP.

2 comentários em “Em Julho, ponto.”

  1. há bons filmes fora do circuito comercial, pena que nestas paragens somente em eventos especiais como a Virada Cultural, ou às vezes o Cine Eldorado tem a coragem de trazer os cult movies.. pena não assisti Em Julho, mas o seu comentário suficientemente bom, dando um panorama geral do filme, gostei.

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